quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

com cavalo, sem cavalo



terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

exposición individual de la artista española Amaya González Reyes (Sanxenxo 1979) titulada “Una idea brillante y otras historias adorables”


Spitx estreia dia 18 de Dezembro no Maria Matos


domingo, 8 de Novembro de 2009

"O Duplo" no Negócio, de 11 a 14 de novembro, às 21.30. Um impasse distractivo em torno da possibilidade da personagem.



Negócio Rua de O Século, 9 - porta 5 . reservas 213430205

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

"O Duplo" estreia no Festival Temps d'Images, dias 6 e 7 às 21.00, no Pequeno Auditório do CCB



um impasse distractivo em torno da possibilidade da personagem

direcção Jorge Andrade . com Ana Brandão, Bruno Huca e Jorge Andrade . cenografia José Capela . vídeo António Gonçalves e Carlos Conceição (UZI filmes) . luz João d’Almeida . banda sonora Rui Lima e Sérgio Martins . produção executiva Cláudia Silva

co-produção Festival Temps d’Images . apoio O Espaço do Tempo, Teatro da Garagem

reservas 213 612 560

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

"O decisivo na política não é o pensamento individual, mas sim a arte de pensar a cabeça dos outros (disse Brecht)." dia 29 no Festival Y

às 21.30 no Auditório do Teatro das Beiras, na Covilhã . reservas 275335686

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Huis Clos no Negócio (ZDB) até dia 27, todos os dias às 21.30



Huis Clos é um espectáculo de teatro a partir de uma peça de teatro. Desde Os Justos, estreado em 2004, não fazíamos uma peça. Temos vindo a adoptar materiais não-dramáticos como ponto de partida e a fazer depender da natureza desses materiais a resolução dos espectáculos. Uma colecção de selos, o registo áudio de um jantar preparado conjuntamente por três amigas, documentários sobre violência e sobre catástrofes, um ensaio de Walter Benjamin, os grandes discursos políticos da História, um conjunto de cerca de 2000 bibelots.  Em Huis Clos, entre o divertimento de regressar a um modo de fazer canónico e a desconfiança em relação a esse cânone, propusemo-nos um exercício de equilibrismo. Apresentar o texto como uma obra de literatura que se basta a si mesma ou diluí-lo numa “encenação”. A possibilidade de uma representação verosímil, que se tenta aproximar do virtuosismo, ou a cena apresentada como infra-estrutura. A movimentação emocional do triângulo de personagens ou o carácter esquemático, quase matemático, do texto de Sartre.


texto Jean-Paul Sartre, 1944 . tradução mala voadora . direcção Jorge Andrade . com Anabela Almeida, Bernardo de Almeida, Jorge Andrade e Sílvia Filipe . cenografia José Capela . luz João d’Almeida . fotografia José Carlos Duarte

Temps d'Images 2009

ver programação

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Huis Clos será um exercício de equilibrismo. Estreia no dia 21, no Negócio.

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

chinoiserie no Circular, dia 25 em Vila do Conde

No âmbito da programação do Circular 2009 - Festival de Artes Performativas, o espectáculo chinoiserie vai ser apresentado no Teatro Municipal de Vila do Conde, dia 25, sexta-feira, às 21.30. Reservas: 252 290 050

ver a programação do Circular 2009

domingo, 20 de Setembro de 2009

GOVERNAR no Maria Matos:

ver jornal com programação

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

com direitos de autor, sem direitos de autor

 

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Jean-Paul Sartre: sessão fotográfica com José Carlos Duarte

video

segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

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domingo, 6 de Setembro de 2009

Huis Clos, 27 de Maio de 1944, Théâtre du Vieux-Colombier

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Michel Vitold (Garcin), Gaby Sylvia (Estelle) e Tania Balachova (Inès)

sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Huis Clos: um espectáculo de teatro a partir de uma peça de teatro, com Anabela Almeida, Bernardo de Almeida, Jorge Andrade e Sílvia Filipe

terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Huis Clos

domingo, 16 de Agosto de 2009

chinoiserie e real/show no citemor - fotografias (de Susana Paiva) e vídeos (de Hugo Barbosa e Pamela Gallo) em

http://www.citemor.blogspot.com

segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

ficção

ficção, s. f. acto de fingir; invenção fabulosa ou engenhosa; fábula; simulação; coisa imaginária; ideias imaginárias com que o orador pretende dar mais força ao seu discurso; fantasia; literatura novelesca. (Do lat. ficcione-).

quarta-feira, 29 de Julho de 2009

verdadeiros falsos


segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Wells, Welles

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programa radiofónico de Orson Welles com o Mercury Theatre, a partir de "A Guerra dos Mundos" de H. G. Wells

quarta-feira, 15 de Julho de 2009

terça-feira, 30 de Junho de 2009

programa do citemor 2009 disponível em:

http://www.citemor.com
ou
http://www.citemor.blogspot.com/

domingo, 7 de Junho de 2009

A mala voadora apresenta chinoiserie. No Maria Matos. Dia 12 sexta às 19.00; dia 13 sábado às 17.00 e às 23.00; dia 14 domingo às 17.00.

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Tal como as peculiares imagens do Oriente oferecidas pela chinoiserie, os bibelots são imaginativos. O seu interesse não está na possibilidade de serem fiéis àquilo que representam, mas na sua capacidade de originar representação. Podem ser individualidades ou lugares; ou então um ideal de beleza, um determinado imaginário ou uma referência afectiva. Os bibelots mantiveram o propósito figurativo ou alegórico quando a arte deixou de ser dominada por ele e, por outro lado, foram pioneiros na substituição das obras de arte como protagonistas da cultura visual. Os bibelots são banais e exemplares.


direcção Jorge Andrade . dramaturgia Jorge Andrade e José Capela . texto Miguel Rocha . com Anabela Almeida e Bruno Huca . vídeo Rui Ribeiro (com colaboração de Ricardo Sequeira e consultoria de Sérgio Aragão) . luz José Álvaro Correia . música Rui Lima e Sérgio Martins . direcção de produção Magda Bull . co-produção Maria Matos Teatro Municipal, O Espaço do Tempo, Citemor . apoios Comuna Teatro de Pesquisa, Teatro da Garagem

A mala voadora é uma estrutura financiada pelo Ministério da Cultura / Direcção Geral das Artes. A mala voadora é uma estrutura associada da Associação Zé dos Bois (ZDB).

quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Dias das histórias improváveis - começam amanhã no Maria Matos

ver programação no jornal

sábado, 16 de Maio de 2009

o final "thank you very much" de "O decisivo na política...", o ano passado em Serralves

http://proyectothankyouverymuch.blogspot.com/

segunda-feira, 11 de Maio de 2009

pomba-relógio . contagem decrescente . estreia dia 12 de Junho


sábado, 25 de Abril de 2009

chinoiserie: em residência com Miguel Rocha e Rui Ribeiro no espaço do tempo

domingo, 19 de Abril de 2009

2 eventos

1. No âmbito do projecto REGIME DE MEIA PENSÃO, Jorge Andrade foi um dos cinco convidados a sentar-se à mesa de um café do Porto durante três dias para aí desenvolver um curto processo criativo. Desse trabalho, a uma mesa do Plano B, resultou uma instalação em torno dos materiais de chinoiserie.

http://regimedemeiapensao.blogspot.com/
http://www.planobporto.com/index.php?opcao=2&tipo=-2&id=736&ling=1

2. Ontem, em Montemor-o-Novo, foi feita uma breve apresentação, integrada na PT.09 - PLATAFORMA PORTUGUESA DE ARTES PERFORMATIVAS, sobre o resultado da residência da mala voadora no Convento da Saudação com vista à concepção do espectáculo chinoiserie. O Espaço do Tempo é co-produtor de chinoiserie.

sábado, 4 de Abril de 2009

auto-reflexivo versus auto-referencial (versus a decoração lá de casa)

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quinta-feira, 2 de Abril de 2009

chinoiserie: em residência com Miguel Rocha, Rui Lima e Sérgio Martins no espaço do tempo

sexta-feira, 27 de Março de 2009

"O decisivo na política..." na Ilha do Pico

dia 28 de Março, às 21.30, no Centro de Artes e de Ciências do Mar

terça-feira, 17 de Março de 2009

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sexta-feira, 13 de Março de 2009

souvenirs

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sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

just a joke

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segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

objectos como objecto

do francês antigo, beubelet, reduplicação do belo

do alemão kitschen, fazer móveis novos à partir de móveis antigos
O termo surgiu por volta de 1870 no comércio artístico em Munique para designar objectos de arte feitos de propósito para satisfazer a procura de uma nova clientela endinheirada. A partir deste contexto, a palavra evoluiu pejorativamente no sentido genérico de arte de imitação e de mau gosto e é associada à abundância e à não-funcionalidade.

1) objecto mágico; 2) objecto de veneração; 3) objecto de desejo

Il était une fois... l'homme

...ou o cúmulo da "história linear"

sábado, 21 de Fevereiro de 2009

antologia de um programa


(...no âmbito do qual foi produzido, em 2005, philatélie.)

terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

anúncio do PAZZ

Die Ergebnisse der Workshops und Arbeitstreffen werden am Abschlusswochenende in OPEN PAZZ zusammengefasst. Im Mittelpunkt steht die Präsentation der Arbeit von Third Angel, die neben Filmausschnitten ihrer bisherigen Arbeiten ihr neues Projekt vorstellen, das das Staatstheater Oldenburg zusammen mit den britischen Sheffield Theatres und der portugiesischen Gruppe Mala Voadora für PAZZ 2010 produzieren wird.
Neben Portraits der Gruppen wird hier außerdem zum Abschluss des Festivals in einer offenen Gesprächsrunde ein Fazit der Festivalwoche gezogen und ein Ausblick auf zukünftige Projekte gegeben.

http://venyoo.de/veranstaltung/92956/open-pazz-exerzierhalle-am-pferdemarkt-oldenburg

sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

21 de Fevereiro: 2º aniversário da obscena

quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

cabinet

Ferrante Imperato: Dell'Historia Naturale, 1599; Ole Worm: Museum Wormianum, 1655.

Cabinets of curiosities (also known as Wunderkammer, Cabinets of Wonder, or wonder-rooms) were encyclopedic collections of types of objects whose categorical boundaries were, in Renaissance Europe, yet to be defined. Modern science would categorize the objects included as belonging to natural history (sometimes faked), geology, ethnography, archaeology, religious or historical relics, works of art (including cabinet paintings) and antiquities. "The Kunstkammer was regarded as a microcosm or theater of the world, and a memory theater. The Kunstkammer conveyed symbolically the patron's control of the world through its indoor, microscopic reproduction." Of Charles I of Engand‘s collection, Peter Thomas has succinctly stated, "The Kunstkabinett itself was a form of propaganda." Besides the most famous, best documented cabinets of rulers and aristocrats, members of the merchant class and early practitioners of science in Europe, formed collections that were precursors to museums.

sábado, 7 de Fevereiro de 2009

rural architecture in the chinese taste


segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Marcel Broodthaers: a voyage to the north sea

sábado, 31 de Janeiro de 2009

Marcel Broodthaers: Departement des Aigles

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

também se chama chinoiserie...

...a exposição de Ana Perez-Quiroga patente na Galeria 3+1 Arte Contemporânea, na Rua António Maria Cardoso. Fomos ver e gostámos. Mais informações: http://www.3m1arte.com/

segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

"O decisivo na política..." no Teatro Municipal de Bragança, quinta-feira dia 8, as 21.30

sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Dinis Machado: unpackaged (vernissage já hoje)

Depois de "Only You. Um espectáculo só para si. Um artista ao seu dispor" Dinis Machado. um artista ao seu dispor, inc.* volta a invadir a cidade com "unpackaged". Um pack de três peças para encaixar como quiser. Um programa de viagem sem visita guiada.


O programa começa dia 12 precisamente às 23h com "Vernissage Finissage" - uma inauguração fora de horas deslocada para o miradouro de S. Pedro de Alcântara constituindo-se como terceiro elemento de um projecto fragmentado. O corpo de trabalhos estará patente de 13 a 19 de Dezembro entre as 18h e as 22h, e é constituído por "E eis que de súbito…, descobriu uma nova porta na sua mesma e velha casa." uma instalação patente no espaço Round the Corner (Edifício Teatro da Trindade) e "Nowhere" Instalação apresentada no espaço Land (Cais do Sodré) segundo marcação para o 938243761. Tudo acaba dia 19 com "Vernissage Finissage" de novo no mesmo local à mesma hora.


A Dinis Machado. um artista ao seu dispor, inc. deseja-lhe uma boa visita.

domingo, 23 de Novembro de 2008

Michael Wolf: the real toy story, 2004

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http://www.designboom.com/contemporary/toys.html

sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Liu Jianhua

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quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

a turma improvável, uma proposta de Samuel Guimarães, no Porto

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O facto de o Samuel ter feito uma tese de mestrado sobre chinoiserie não é apenas uma coincidência.

domingo, 16 de Novembro de 2008

Parabéns, José!

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mais fotografias da mesma série, de José Carlos Duarte, em http://cultura.fnac.pt/galerias/exposicoes/a-j

sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Hans Haacke 1967: Sphere in Oblique Air-Jet; Sky Line

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...e no S. João do Porto, em versão unitária

de novo balões, agora no Yi Peng Festival

sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Trama, de 24 a 26 de Outubro, no Porto

http://www.festivaltrama.org/

livro de Patrícia Portela

terça-feira, 7 de Outubro de 2008

também se chama chinoiserie...

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...um espectáculo de Mathilde Monnier de 1991, apresentado no Porto em 1995. No plural - Chinoiseries - é o título de um filme co-dirigido pela coreógrafa e por Valérie Urréa.

segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Good luck!

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domingo, 5 de Outubro de 2008

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http://www.thebeijingguide.com

Madelon Vriesendorp

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http://www.madelonvriesendorp.com/

Jacques Vigouroux-Duplessis

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chinoiserie

chinoiserie Fanciful European interpretations of Chinese styles in the design of interiors, furniture, pottery, textiles, and gardens. The expansion of trade with East Asia produced a lively vogue for Chinese fashions in the 17th – 18th centuries. The most outstanding chinoiserie interior was the Trianon de Porcelaine (1670 – 71), built for Louis XIV at Versailles. The style featured lavish gilding and lacquering, the use of blue and white (as in delftware), asymmetrical forms, unorthodox perspective, and Asian motifs. In the 19th century, the fashion gave way to Turkish and other styles considered exotic. (in Britannica Concise Encyclopedia)

domingo, 28 de Setembro de 2008

Rita Castro Neves na Reflexus, no Porto

www.ritacastroneves.com

sábado, 6 de Setembro de 2008

O decisivo na política... no Negócio (ZDB) de 17 a 27 de setembro, 4ª a sábado, às 21.30

O decisivo na politica credito_Susana Paiva

fotografia: Susana Paiva
Negócio Rua de O Século, 9 - porta 5 _ reservas 213 430 205
http://www.zedosbois.org/indexzdb.htm

segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

a mala voadora volta ao Negócio (ZDB) em setembro

...para uma residência da qual resultará a versão definitiva de "O decisivo na política não é o pensamento individual, mas sim a arte de pensar a cabeça dos outros (disse Brecht)". Uma vez mais, a ZDB (neste caso juntamente com o Citemor) associa-se à mala voadora para a co-produção do espectáculo.

what I heard about the world

Durante a semana passada, decorreram em Sheffield as primeiras sessões de trabalho da mala voadora e dos Third Angel no âmbito de um projecto conjunto intitulado "what I heard about the world". Este projecto passará por várias etapas e prevê-se que o espectáculo dele resultante estreie em 2010 na Alemanha, no Oldenburgisches Staatstheater.


http://www.thirdangel.co.uk/

citemor: entrevista (excertos)

video: Hugo Barbosa e Pamela Gallo

citemor: check-in

video: Hugo Barbosa e Pamela Gallo

domingo, 10 de Agosto de 2008

em residência no Citemor

Estamos em residência no Citemor, com vista à estreia no dia 14 de Agosto do espectáculo O decisivo na política não é o pensamento individual, mas sim a arte de pensar a cabeça dos outros (disse Brecht). Vai ser em Montemor-o-Velho, na sala B, às 22.30, e repete dia 15.

http://www.citemor.blogspot.com









fotografias: Vítor Oliveira

sábado, 19 de Julho de 2008

Citemor 2008, a partir de 25 de Julho

citemor

agora que o espectáculo já existe

1. título

Ao título O decisivo na política não é o pensamento individual, mas sim a arte de pensar a cabeça dos outros, acrescenta-se agora, no final: (disse Brecht). É melhor que fique claro que se trata de uma citação.


2. discursos políticos

O espectáculo é sobre retórica: sobre o modo como é composta a comunicação de um qualquer conteúdo.

Para abordar este tema, optou-se por utilizar alguns dos grandes discursos políticos da história, cujo conteúdo foi determinante em relação ao que tem vindo a ser o destino do mundo (ou de Portugal em particular): Salvador Allende, Yasser Arafat, Chiang Kai-Shek, Winston Churchill, Álvaro Cunhal, Dalai Lama, Charles De Gaulle, Josef Estaline, Fidel Castro, Patrick Henry, Imperador Hirohito, Adolf Hitler, Muhammar Kadhafi, Vladimir I. Lenine, Martinho Lutero, Martin Luther King, Nelson Mandela, Mao Tsé-Tung, Benito Mussolini, Napoleão I, General Patton, Yitzhak Rabin, Oliveira Salazar, Andrei D. Shakarov, Shimon Peres, Mário Soares, Elizabeth Stanton, Aung San Suu Kyi, Leon Trotsky (e, agora, um hit dos Beatles). Mas como é de retórica que se trata, e como não há discursos políticos sem retórica, os discursos utilizados foram equiparados e justapostos independentemente do que julgamos ser a pertinência ou a perversidade de cada um. É precisamente a sedução comunicativa de que pode ser dotado uma qualquer proposição (designadamente as proposições perniciosas ou as ingenuamente revolucionárias) que o espectáculo visa. No que se refere aos discursos, pretende-se que o espectáculo, por um lado, afirme a impossibilidade de ausência de retórica (impossibilidade que se torna particularmente evidente sempre que o público se identificar com os discursos proferidos) e, por outro, evoque o perigo de uma relação entre o exercício político e o eleitorado reduzida à sedução produzida pela retórica.


3. pura retórica

Contra a possibilidade de uma arte de expressão objectiva ou isenta (na qual acreditaram alguns artistas conceptuais), Mel Bochner escreveu numa obra sua que “a linguagem não é transparente”.

Não só a linguagem é sempre retórica, como a retórica tem valor como conteúdo. O “modo de dizer” tem valor ideológico. Walter Benjamin enuncia esta possibilidade de modo claro na conferência “O autor enquanto produtor”: a técnica (ou a linguagem) utilizada numa determinada obra tem um valor ideológico na medida em que implica – ou reflecte mesmo – um determinado posicionamento face ao contexto produtivo da arte. No que respeita ao teatro, Benjamin toma como referência Brecht e o efeito de estranhamento, propondo assim a oposição dialéctica entre “o que se reconhece” e “o que se estranha” como estratégia privilegiada de crítica.

O espectáculo O decisivo na política... desenvolve-se abandonando este tipo de oposição dialéctica, a favor da autonomia da retórica. Abandona-se a discursividade própria dos discursos políticos (aquilo que, no espectáculo, se reconhece) para instalar em cena um outro tipo de discursividade: aquela que pode residir numa retórica desligada do que é reconhecível. No final, o sentido crítico, ou político, do espectáculo advém deste alheamento em relação ao universo lógico e factual no qual se inscreve o exercício da política tal como o re-conhecemos.

quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Isaque Pinheiro



Na Galeria Presença, no Porto, pode ver-se uma exposição de Isaque Pinheiro intitulada "Em cima da terra e debaixo do céu". Sobre o trabalho deste artista ver www.isaquepinheiro.com.

terça-feira, 1 de Julho de 2008

o decisivo na política não é o pensamento individual, mas sim a arte de pensar a cabeça dos outros - estreia dia 10 de julho, em Serralves

projecto apoiado pelo Ministério da Cultura - Direcção Geral das Artes

quinta-feira, 26 de Junho de 2008

obscena #13/14 à venda

segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Itziar Zorita (tan guapa!)

quinta-feira, 8 de Maio de 2008

©Tom Hoy. All rights reserved Tom Hoy, then a staff photographer with the Washington Star, took a big gamble when he decided to stay at his behind-the-podium vantage point when President John F. Kennedy came to speak at the DC National Guard Armory in 1962. All Hoy's colleagues went 'round front to make the standard speaking-from-the-lectern shot. But Tom, sensing that the arena lights – and the photo gods – might favor him, got off this perfect, emblematic shot right before the Secret Service ushered him away. The pic has been published worldwide.


www.washingtonpost.com

Thomas Hirschhorn: Tool Table (2007); Outgrowth (2005)

quarta-feira, 7 de Maio de 2008

técnica e afecto

a propósito da programação de dança do Rivoli (e um pouco mais) . publicado em Cadernos Rivoli nº 4, 2004 . obrigado Cristina, pelos espectáculos e pela oportunidade de publicar o texto



1. Sei pouco sobre dança ou, dito de outra forma, sobre a) a história da "dança", e sobre b) o modo como, desde há já quase um século, os contornos variáveis do seu território instrumental/significante/expressivo vão sendo experimentados. Sinto-me com certeza mais estimulado por este segundo aspecto, em detrimento da eventual centralidade do primeiro, porque nele a questão técnica (entenda-se aqui técnica enquanto matriz normativa de concepção/interpretação) tende a ocupar um lugar subordinado, a favor da construção livre de coerências, de conjunturas.


2. Como no teatro (mais habitualmente no que respeita à interpretação ou à exibição do improviso) ou no cinema (mais habitualmente no que respeita à narrativa), julgo que na dança a expressão da dor, por si mesma, é redundante. Desprezo a ideia fascista de "arte degenerada", do mesmo modo que não encontro qualquer interesse na pura expressão de estados psíquicos dolorosos. O movimento do corpo pode sustentar modalidades expressivas de grande síntese (potencialmente mais sintéticas do que a construção de discurso ou de uma narrativa), mas quando o nível da expressão compulsiva do eu não é ultrapassado, a síntese toma a forma da mera "coreografia psicanalítica": o mergulho no inconsciente, através do mais empobrecido auto-centrismo, dá – afinal – azo à alienação da comunicabilidade (a comunicabilidade pressupõe a consideração do receptor). A temática do "corpo" é particularmente propícia à confusão entre arte e terapia emocional (o possível onanismo dos diários íntimos, psico-drama ou catarses várias).


3. Comoventes, os sacos de plástico brancos a moverem-se no ar, num espectáculo de Les Ballets C. de la B., no Rivoli.


4. Lembro-me de ouvir alguém lamentar-se, no final do espectáculo Chinoiserie de Mathilde Monnier, apresentado pelo Rivoli no Ballet-Teatro em 1995, relativamente à falta de rigor da interpretação da coreógrafa/bailarina. De facto, o mais relevante do espectáculo não seria o virtuosismo. Assistiu-se, em dois tempos consecutivos, aos movimentos de alguém que, como se estivesse em sua casa (não sei se o tapete que ocupava o pavimento, único elemento do "cenário", tinha o propósito de recriar um espaço doméstico), parecia entreter-se precisamente a experimentar esses movimentos, primeiro sem, depois com a inter-acção de uma lanterna fixa a uma coxa. Pareceu-me esta elementaridade emocionante. Tomei esta (pelo menos aparente) espontaneidade como um manifesto sobre a possibilidade de comunicação em dança.


(O magistral Once de Anne Teresa De Keersmaeker, recentemente apresentado no Rivoli, apesar das devidas diferenças, também tinha um pouco este tom.)


5. [...] antes de perguntar: como se relaciona a poesia com as relações produtivas da época, gostaria de perguntar: como se situa nela? O objectivo imediato desta questão é determinar a função que a obra assume nas relações de produção da escrita numa época. Por outras palavras, o seu objectivo é a técnica escrita da obra. Designo o conceito de técnica como aquele que, nos produtos literários, torna acessível uma análise imediata e materialista da sociedade. (1)


6. Tive oportunidade de conhecer Olga Mesa no Citemor de 2004. No Verão, o ambiente informal e fértil do festival de Montemor-o-Velho foi propício a encontros à mesa do café. Foi então que vi o espectáculo On cherche une danse. Foi também uma experiência emocionante. Em Dezembro, no CCB, assisti ainda a Suite au dernier mot: Au fond tout est en surface (um espectáculo, na verdade, anterior ao primeiro).


Revelar a fenomenologia do acontecimento cénico não será nada de surpreendentemente novo. No âmbito das "artes plásticas", e como culminar de uma genealogia que remonta à década de 10 do século XX, a revelação dos mecanismos inerentes à prática artística que, por tradição, permanecem invisíveis (quer os de natureza física/instrumental que são escrupulosamente ocultados, quer aqueles de ordem abstracta, designadamente institucional, implicados na prática e no consumo da arte) ou a evidência da dimensão sensitiva da comunicação através da obra são atributos da arte conceptual dos anos de 1965-1975. Mas se os dois espectáculos de Olga Mesa parecem estar próximos deste objectivo, verifica-se que neles se produz uma deslocação, do âmbito mais estritamente analítico, para o âmbito do afecto. Artistas/intérpretes e público tornam-se, nestes espectáculos, o centro de situações que (muitas vezes despoletadas pela locução intimista, sem pathos, da própria criadora, como se de uma conversa se tratasse) fazem coincidir a desnudez/consciencialização dos aspectos técnicos (a técnica, segundo Benjamin) do espectáculo, com a dimensão emocional dos seus agentes. O que é apresentado ao público não constitui, nem uma – extremada – dissecação desconcertante dos fenómenos, nem uma tentativa de criar uma – extremada – empatia ingénua entre emissor e receptor. Em vez disso, o público é levado à experiência sensível do fenómeno-espectáculo: é levado a re-vivenciar a experiência do espectáculo – naquilo que de mais banal ela possa conter – intensamente. Interior/exterior da sala, interior/exterior da cena (entre ver e ser visto), executante/observante, directo/diferido, fazer/mostrar, entre outras dicotomias, transformam-se assim em lugares de afecto. E podem juntar-se-lhe outras dicotomias: memória/acção individuais, grave/terno, pudor/exposição, público/íntimo, epiderme/miniatura,... au fond tout est en surface.


José Capela



(1) Walter BENJAMIN, ‘O Autor enquanto Produtor’, trad. Maria Luz Moita, in Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política, Lisboa: Relógio d’Água, 1992, pp. 139-140.

segunda-feira, 5 de Maio de 2008

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sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Eisenhower for President 1952 political commercial

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quinta-feira, 1 de Maio de 2008

retórica III - Kosuth vs. Bochner (d'après Johanna Drucker)


Joseph Kosuth: Self-Defined Subject (Violet), 1966

Mel Bochner: Language Is Not Transparent, 1970

quarta-feira, 30 de Abril de 2008

retórica II - Joseph Kosuth: One and Three...

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terça-feira, 29 de Abril de 2008

retórica I


Jan Steen: Rhetorics in the Window, 1662-66

Robert E. Lane

Robert E. Lane outlined differences between domains of “pure politics” and “pure knowledge,” finding the former subject to the pressures of power and party affiliation, while the latter was able to move decision making into the realm of rationality.

NOTE 43: Robert E. LANE, “The Politics of Consensus in an Age of Affluence,” American Political Science Review 59 (1965)

quinta-feira, 24 de Abril de 2008

a política é performativa

A comunicação política destinada às massas reveste-se de grandes preocupações de ordem performativa. Quer em situações nas quais o contacto com o eleitorado é directo, como um comício, quer quando esse contacto é tão mediado como num tempo de antena de campanha eleitoral, trata-se quase sempre de construir um espectáculo de imagens e sons no qual o discurso propriamente dito é um componente. Adquirem uma importância determinante todos os recursos que permitem compor a comunicação e – esse é o seu objectivo – optimizar a capacidade persuasiva dessa comunicação. Se no âmbito artístico a verosimilhança foi amplamente relativizada enquanto valor, pelo contrário a comunicação política é cuidadosamente montada com vista à verosimilhança e à persuasão. É decisivo na política, mais do que na arte, que a comunicação seja apresentada, não só como verdade, mas também como uma verdade sedutora e empolgante. E este é um efeito procurado pelos políticos independentemente das respectivas ideologias, ou seja, é um efeito que, no contexto político, tem um valor autónomo – o mesmo que tem no contexto da publicidade.


Tanto a eficácia do espectáculo político, como a eficácia da publicidade, vivem de uma relação entre realidade e ficção que tende a ser paradoxal: quanto mais astuciosamente idílica for a ficção, melhor ela é capaz de convencer o seu «público» a adoptar uma determinada convicção sobre a realidade. A verdade não é meramente aquilo que tem correspondência com o real, mas é sobretudo aquilo que é capaz de ter a aparência de verdade, ou até, no limite, aquilo que é suficientemente sedutor para afastar a questão do que é, ou não, verdadeiro. Quem é mais real? Che Guevara ou o Tio Sam? Platão ou o Robin dos Bosques?

as artes performativas são políticas

Um objecto performativo, como qualquer produto artístico, pode ter uma dimensão política evidente. Recorrendo-se ou não à narrativa, é possível tomar partido de uma determinada facção ou de um ponto de vista, ou repudiar outros. Mas a dimensão política de um objecto performativo pode ser menos evidente. É o que se verifica quando se enunciam os constituintes de uma equação com dimensão social que não se destina exactamente a ser resolvida, mas antes a permanecer na fértil iminência de produzir sentidos múltiplos (equação na qual se inclui, não só o tema, mas também o modo de fazer o espectáculo). Então, cabe também ao público – o conjunto de receptores da obra – projectar-se de modo pessoal, interpretativo, nos conteúdos que a obra disponibiliza. Este último tipo de posicionamento pode ser identificado com o discurso “crítico” daqueles que, por um lado, pretendem despoletar a reflexão em torno da realidade (inalienavelmente política) e, por outro, não querem adoptar uma ideologia ou ser identificados com uma moral (moral ou ideologia querem ser aceites, não querem ser questionadas). É um lugar comum desse discurso dizer-se que, através dele, se pretendem colocar questões para as quais não se fornecem respostas.


Arte não é propaganda. Mas também nunca é politicamente neutra. Por um lado, nenhum produto artístico, mesmo que muito questionante, é isento de convicções ou de crenças. Como nenhuma pergunta o é. Ideologia não é apenas «esquerda» e «direita», mas também, por exemplo, «reaccionário» e «progressista» (designações, tal como a frase de Brecht que dá título a este projecto da mala voadora, usadas por Walter Benjamin). A reflexão crítica cumprida especificamente no âmbito operativo da arte assenta no equilíbrio entre uma certa objectividade ontológica e a evocação especulativa de sentidos. Por outro lado, se não for através do conteúdo, os produtos artísticos serão políticos no que se refere ao lugar institucional que ocupam (apesar de a exótica ideia de “autonomia da arte” pretender não considerar este facto).

quarta-feira, 23 de Abril de 2008

conferência de imprensa



um espectáculo encenado por Alvaro García de Zúñiga e interpretado por William Nadylam. Foi apresentado no Teatro Municipal de Almada em Dezembro de 2007.

politician


















photo credit: Ray Burmiston

O decisivo na política não é o pensamento individual, mas sim a arte de pensar a cabeça dos outros - a próxima produção da mala voadora

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sábado, 19 de Abril de 2008

multiplicação (a propósito de O Duplo)

quinta-feira, 17 de Abril de 2008

mugatxoan 2008, de 9 junho a 20 julho

Mugatxoan constrói-se a partir da ideia de espaço intermédio como lugar de circulação de códigos, redefinido pelos movimentos contínuos, pelas deslocações a que está submetido. Este projecto, iniciado em 1998, centra-se nas manifestações artísticas dos discursos do corpo, cujo suporte é a imaterialidade, apresentando trabalhos que aparecem como a transformação de actos e a produção de significado através de uma situação transitória.

Mugatxoan 2008 apresenta-se como um projecto em trânsito – o acto de ir de um espaço a outro – e como o lugar e o tempo em que isto sucede. O programa divide-se em três blocos principais: Oficinas, Residências/Produções e Apresentações. As actividades programadas são dirigidas à produção de conteúdos práticos e teóricos, a ser articuladas entre os diferentes participantes activos (a produzir e a reflectir). A iniciativa terá lugar de 9 de Junho a 20 de Julho no Arteleku, Donostia e na Fundação de Serralves, Porto, entidades que têm sido parceiras e produtoras associadas do projecto desde 2001. Este ano junta-se-lhes um novo centro, La Laboral Escena de Gijón, que acolherá as produções em residência durante o mês de Setembro. Todos os jovens interessados em artes visuais, dança e performance que tenham começado a trabalhar nas suas próprias peças podem candidatar-se para assistir às oficinas ministradas por Alice Chauchat, Eric Duyckaerts, Juan Domínguez e Massimo Furlan-Clarie de Ribaupierre.

A candidatura poderá ser realizada através das convocatórias Mugatxoan 2008.

Informação complementar na web:
www.mugatxoan.org
Informação geral:
info@mugatxoan.org
arteleku@gipuzkoa.net
ser.art.performativas@serralves.pt

quarta-feira, 16 de Abril de 2008

single

I-Box





















Robert Morris: I-Box, 1962

terça-feira, 15 de Abril de 2008

ciclo single

A adopção da própria biografia como tema tornou-se um lugar comum das artes performativas. Ultrapassados níveis mais indirectos de expressão autobiográfica, o quotidiano e o íntimo são tomados como matéria de criação e podem tornar-se objecto de exposição despudorada. Em grande medida, este fenómeno prende-se com um outro mais vasto e também já amplamente instituído: a deslocação do comprometimento político, da adesão colectiva às grandes ideologias, para a crença numa micro-política em que a vontade de transformação social radica nas escolhas individuais e quotidianas de cada indivíduo. Neste quadro de valores, próprio de contextos capitalistas, a construção da identidade é entendida como base da construção libertária e supra-democrática da sociedade.


Acreditamos que a prevalência atribuída à construção da identidade pode ser um fenómeno coincidente com a conquista de liberdade individual e com o enfraquecimento das instituições tradicionalmente responsáveis pela definição autoritária de modelos de comportamento. O estabelecimento público de valores comportamentais parece ser agora, de facto, mais fragmentário e debatido. Os reality shows (independentemente de todo o tipo de manipulações a que estão sujeitos) reflectem de modo massificado esse fenómeno. Por um lado, vivem da singularidade dos participantes (muitas vezes levada até ao ponto da bizarria). Por outro lado, são lugar de confrontos de opinião – tanto entre os protagonistas, como entre os comentadores ou facções da audiência – sobre posturas éticas, liberdades, diferenças, ou outros aspectos de ordem comportamental. Ainda que com uma dimensão crítica diminuta, também aqui a exibição do quotidiano e do íntimo é directa e despudorada. E também aqui o jogo assenta na exacerbação da construção de uma identidade.


As próximas produções da mala voadora terão como tema a identidade e constituirão um ciclo designado single. Mais do que tomar o partido de uma qualquer tese sobre a identidade, pretendem criar-se situações especulativas em torno, designadamente, dos seguintes aspectos:

a ideia de “verdade”

A aproximação à “verdade” no âmbito da literatura e das artes performativas, ou de outras artes, não é um valor em si mesma. Mais interessante parece-nos um conceito tão artificioso como o de “verdade”. Pretendemos ampliar as anomalias daquilo que é banal ou verosímil.

a autobiografia como conteúdo artístico

O facto de existir um importante limite entre o que é importante para um indivíduo (o tipo de conteúdo afectivo que preenche amizades e diários íntimos) e o que interessa aos receptores de um produto artístico será tratado através de situações em que o protagonista de cada espectáculo se confronta com a falta de interesse que nele (também) existe, em contraste com o interesse que o seu contexto social simultaneamente pode demonstrar.

a autonomia do indivíduo

À individualidade irá contrapor-se a reflexão do “eu” no “outro”, ou aquilo que é comum a muitos.



Estão previstos os seguintes 4 espectáculos (3 dos quais serão solos):


O decisivo na política não é o pensamento individual, mas sim a arte de pensar a cabeça dos outros.

A frase que intitula este projecto é, de acordo com Walter Benjamin, da autoria de Brecht. O espectáculo, sobre a natureza e a verosimilhança do “eu” político, terá o formato de um comício. Oscilará entre a colagem absurda de discursos políticos reais e a referência a algumas d’as 101 pessoas mais influentes que nunca existiram (de acordo com os norte-americanos Allan Lazar, Dan Karlan e Jeremy Salter). Pretendem usar-se os recursos próprios da espectacularidade política. Esta co-produção com a Galeria Zé dos Bois será desenvolvida em residência, e apresentada, no Negócio. Tem estreia prevista para dia 11 de Julho, no Auditório do Museu de Serralves, no âmbito do projecto Mugatxoan.

O Duplo

Adoptou-se o título do livro de Fiódor Dostoiévski que constitui ponto de partida do projecto. Um homem sofre um processo de duplicação e vê-se sujeito a conviver com o seu duplo. No espectáculo, é projectado um vídeo que recria a narrativa de Dostoiévski. O protagonista, também presente em cena, dialoga com a projecção, realiza instalações e executa pequenos números que complementam a narrativa. Esta co-produção com a Galeria Zé dos Bois será desenvolvida em residência, e apresentada, no Negócio.

Ele foi Mattia Pascal

Adoptou-se o título do livro de Luigi Pirandello que constitui ponto de partida do projecto. Narra-se a vida de alguém a partir do momento em que é dado como morto.

single

O espectáculo que tem o mesmo título que o ciclo é sobre o comportamento solitário. É o único que não é um solo. O processo de trabalho de single será iniciado por uma socióloga convidada que produzirá um questionário e realizará um conjunto de entrevistas. O ridículo, o estupidamente íntimo, as vicissitudes do corpo, o escatológico, enquanto aspectos impregnados no quotidiano, poderão constituir matéria propícia à manipulação dramatúrgica.


Yo Gasto

De 9 de Abril a 17 de Maio, a Galería Pilar Parra & Romero em Madrid expõe uma obra da artista galega Amaya González Reyes. Chama-se "Yo Gasto" e reúne ampliações em tela, impressas à mão, de facturas correspondentes a todas as despesas feitas pela artista durante o tempo em que a obra foi produzida.

mala voadora

A mala voadora foi fundada por Jorge Andrade e José Capela, responsáveis pela direcção artística da companhia. Apresentámos o nosso primeiro espectáculo em 2003 e, desde então, produzimos 10 espectáculos, 4 dos quais subsidiados pelo Ministério da Cultura. Nas 3 primeiras produções trabalhámos com os encenadores Rogério de Carvalho, João Mota e Miguel Loureiro. Ainda partindo de um texto dramático, o espectáculo seguinte, Os Justos de A. Camus, foi encenado por Jorge Andrade (menção honrosa do Prémio Madalena Azeredo Perdigão 2004, atribuído pela F. C. Gulbenkian), fazendo coincidir as tentativas do grupo de revolucionários de levar a bom termo o ataque terrorista com as tentativas dos actores de ensaiarem a peça. Desde então ainda não voltámos a adoptar uma peça de teatro como ponto de partida para fazer um espectáculo. Se, quando se parte de uma peça, a dramaturgia tende a traduzir-se em matizes interpretativos e poéticos desenvolvidos em torno desse texto (ou paralelamente a ele), temos ensaiado antes a partir da diversidade das relações que podem ser estabelecidas entre, por um lado, as temáticas que pretendemos transportar para a cena e, por outro, o tipo de procedimentos a adoptar com vista à definição do espectáculo. Juntamente com cada tema, definimos uma maneira de fazer, um enunciado operativo que tenha ele próprio um significado dramatúrgico convergente com esse tema. E em função disso, escolhemos a especificidade profissional dos membros de cada equipa de trabalho, e chegamos a um dispositivo cénico adequado à resolução formal do espectáculo.


Em philatélie partiu-se de uma pequena colecção de selos; uma historiadora investigou sobre vários deles, produziu-se um texto e o espectáculo foi operado ao vivo, tendo como protagonistas os próprios selos. Em projecto de execução partiu-se da relação de amizade entre um grupo de 3 mulheres (mais concretamente, do registo de uma série de 3 jantares entre elas) para enunciar e experimentar, no espectáculo, as várias dimensões sensitivas da realidade e da sua deslocação para a cena. Em hard I+II, bem como em hard III, partiu-se de ensaios, documentários e notícias para abordar dois componentes relevantes da espectacularidade contemporânea: a violência e as catástrofes. Em hard I, sobre violência, chegou-se a um conjunto de situações performativas em torno de uma célula familiar (a escala do ínfimo/íntimo). Hard II tinha o formato de uma visita guiada a um museu de catástrofes em miniatura (a escala do que é vasto). Em hard III introduziu-se o tema do turismo e o espectáculo desenvolvia-se em torno do transporte de bagagens que, progressivamente, iam formando uma paisagem. Para o espectáculo infantil teatro-postal, uma série de postais de viagem serviu de pretexto para, em cena, evidenciar a alteridade permitida pelo teatro e os componentes da sua construção. Em desempacotando a minha biblioteca, depois da interpretação do ensaio de Walter Benjamin sobre os livros que deu o título ao espectáculo, procedia-se a uma série de tentativas, invariavelmente frustradas, de transpor excertos dos livros de uma biblioteca para o teatro.


Não procuramos que os vários espectáculos apresentem, entre si, uma unidade formal. Focar a criatividade em enunciados operativos, na invenção de modos de fazer, faz com que a linguagem tenda a ser uma mera consequência das decisões de ordem dramatúrgica. Não nos interessam as linguagens, nem as limpas, nem as sujas. E permite também abandonar as hierarquias relativas aos constituintes do espectáculo. O texto, por exemplo, pode constituir ponto de partida, pode resultar do processo de trabalho ou pode nunca chegar a ser necessário. O mesmo é verdadeiro no que respeita à cenografia, à luz, ao vídeo, à música, aos figurinos, ou a qualquer outra coisa que se revele pertinente num determinado projecto. Em todos os trabalhos, começamos sempre por definir o tema com objectividade, ainda que não pretendamos que essa objectividade conduza a “espectáculos de tese” e ela sirva apenas de suporte ou de estrutura ao processo criativo. Muitas vezes começamos por uma fase de recolha de informação que pode ter uma duração e uma importância significativas. Os “ensaios de mesa” tendem a prolongar-se. As sessões colectivas de trabalho servem mais para chegar à ideia de formalização do espectáculo do que, já na cena, para ensaiar a partir de uma ideia preestabelecida ou do puro improviso. Por isso, a fase de ensaios de mesa tende a prolongar-se até ao ponto em que o espectáculo já está esboçado. Às vezes, depois disso, quase nada resta senão executar o que se definiu. (Nem sempre é assim: quando fizemos o espectáculo desempacotando a minha biblioteca, tudo, e designadamente o texto, foi decidido a partir de continuadas experiências de representação.)


Sabemos que o teatro dito independente (como a arte em geral) é consumido por uma franja de público quantitativamente insignificante. Não lhe cabe mudar o mundo, nem propiciar a redenção. Genericamente, interessa-nos fazer um teatro que tenha a ver com o quotidiano, nas suas dimensões política e afectiva. Preferimos o confronto com o que é real à fuga para zonas mais fantasiosas ou nostálgicas, à exacerbação de universos pessoais, ou à abstracção metafísica. E preferimo-lo a temáticas centradas no próprio teatro, e a processos de sublimação ou desconstrução do fenómeno teatral. O teatro é para ser usado e não afirmado. Assim como não acreditamos num teatro sem teoria, também não nos interessa encontrar uma qualquer “essência” que defina o teatro. A nossa definição de teatro é remetida para aquilo que resultar da adopção dos materiais ou processos que, no momento, nos parecerem social e artisticamente pertinentes. Esse alheamento em relação aos protocolos da prática do teatro (tendencialmente conservadores) tem sido também um modo de criar, no interior dessa mesma prática, um campo de teorização. Em vez de o definir, interessa-nos confrontar o teatro com as contingências da produção cultural genérica que contextualizam e condicionam a sua prática e a sua leitura. A iconografia (em philatélie), a espectacularidade da violência e das catástrofes (nos vários hard), ou o conteúdo dos livros (em desempacotando a minha biblioteca) são exemplos de ingredientes da cultura alargada (designadamente visual) na qual se inclui o teatro enquanto comunicação. Tem sido essa a nossa ideia de auto-reflexividade, baseada na constatação de que a realidade que contextualiza o teatro enquanto prática é a mesma do quotidiano de onde provêm os temas adoptados nos projectos.


À maneira de Brecht, a arte deve confrontar-se com a banalidade do seu tempo.